Uma disco nas caixas
O brilho engordurado de um globo espelhado
Pessoas perdidas em passos desencontrados
Uma pista tão confusa quanto o pessoal da cabine
Ninguém se entende
Músicas pela metade
Vidas pela metade
Amargura
Espelhos engordurados
Lâmpadas par
Um tom de verde esquecido
A disco já não toca
Toca um technopop de gosto duvidoso
E a pista já está vazia
Estão vazios os corações
Que chegaram ali cheios
Uns de esperança
Outros de amor
Muitos de álcool
A noite acabou
Vá para casa, Leroy
Amanhã o sol nascerá mais cedo
E o mundo continuará girando
Como um globo engordurado
Só que sem os espelhos
Sem lâmpada, sem par
Sem o Barry e sem a Donna
E o único giro que você dará
Será na pista da cidade
À procura de um novo emprego
Que pague ao menos sua bebida
Porque em vez de corpos
O abraço agora é no balcão
A boca que você beija é um gargalo
E a luz é negra.
Idéias absurdas de Harry
Thursday, September 19, 2013
Friday, March 22, 2013
LAÇOS DE CINZAS
Atrelado ao teu cavalo
que nem mesmo tu sabes onde anda
Caio eu na vala comum de mais um desespero
Quando arrebenta o estribo
Quando a ferradura parte em dois
e arruína a pata do coitado
E lá se vai mais uma vida
Como tantas minhas já se foram
Como a tua também
E tu, neste foguete insano que te engana
Que diz ir para o espaço, mas vai para a lama
Que finge ser o que querias que eu fosse
Mas apenas é o que odeias
e nem sabes disso
Talvez nunca saibas
Talvez sejas mais feliz nesta ignorância intergaláctica
do que na viagem real que te proporcionou meu pangaré
Mas quem sou eu para alardear?
Matei teu cavalo
Foi sem querer, eu sei
Assim como foi sem querer que ateaste fogo em meu paiol
onde guardava toda minha coragem
de ser quem me pediste para ser
Na verdade, queimamos os dois muito antes disso
Ardemos em paixão
Ferimo-nos com o fogo da agressão
Apagamos o respeito no lugar do que deveríamos apagar
Atiramos lenha ao fogo que consumia nosso amor
E as labaredas foram tão altas
E a fumaça durou tanto tempo
Que jamais conseguimos nos ver novamente
E por mais que eu grite teu nome, esturricando os lábios em meio às chamas
Tu não me respondes
Talvez tenha morrido
Como tudo que havia de mim em ti
Ou quem sabe morri eu
Intoxicado e inconsciente pela fumaça da tristeza eterna
Tuesday, November 20, 2012
ÓDIO SAGRADO
Cruz e Sousa
Ó meu ódio, meu ódio majestoso,
meu ódio santo e puro e benfazejo,
unge-me a fronte com teu grande beijo,
torna-me humilde e torna-me orgulhoso.
meu ódio santo e puro e benfazejo,
unge-me a fronte com teu grande beijo,
torna-me humilde e torna-me orgulhoso.
Humilde, com os humildes generoso,
orgulhoso com os seres sem Desejo,
sem Bondade, sem Fé e sem lampejo
de sol fecundador e carinhoso.
orgulhoso com os seres sem Desejo,
sem Bondade, sem Fé e sem lampejo
de sol fecundador e carinhoso.
Ó meu ódio, meu lábaro bendito, da
minh’alma agitado no infinito,
através de outros lábaros sagrados.
Ódio são, ódio bom! sê meu escudominh’alma agitado no infinito,
através de outros lábaros sagrados.
contra os vilões do Amor, que infamam tudo,
das sete torres dos mortais Pecados!
Tuesday, October 30, 2012
DEFESA, JULGAMENTO E SENTENÇA
Minha morte já não faz alarde
Meu corpo já não é velado
Mas meu legado ainda os guia
E meu grito ainda ecoa em seus ouvidos
Fazendo-os calar
Tirando-lhes o fôlego
Ninguém me precedeu
Até poderia alguém suceder-me
Não fosse eu eterno
Não pensem vocês da Corte das Trevas
Que estaria eu sendo arrogante ou petulante
Pois em nenhum momento pronunciei
Que seria eu melhor que qualquer mortal ou imortal
Digo-lhes apenas que sou diferente deles
Que sou único
Posto que sou honesto comigo mesmo
Fiel àquilo em que acredito
E entregue totalmente às minhas vontades
E digo-lhes ainda mais
Mesmo quando desprovido de bens ou influências
Levei uma vida livre e intensa
Por tudo isso, Senhores da Corte
Não poderei entregar-lhes minh`alma
Nem aos senhores, nem tampouco aos seus "opositores"
Pois já está decidido
Eu mesmo julguei-me e a mim sentenciei
Esta alma continuará vagando por sobre o mundo dos vivos
Até que não haja um só ser para vê-la
E para sentir-lhe a aspereza dos versos
Tenho dito
Agradeço-lhes a atenção, lembranças ao seu juiz maior
E agora retiro-me
Devo apresentar-me em um cabaret qualquer
Tuesday, October 23, 2012
Tuesday, September 18, 2012
"E lá estava ele, ainda um pouco impactado pelo filme que havia assistido, cochilando e acordando para ver o tímido amanhecer do centro da cidade. Levantou-se e olhou pela janela: algumas poucas pessoas indo trabalhar e os taxistas ainda ali, travados, como sempre. Ligou o rádio e ficou pensando em tudo, absolutamente tudo, talvez...provavelmente...certamente por efeito do filme. Pensou em como tudo seria dali para a frente, mas tudo ainda era uma incógnita que dependia da morte definitiva do yuppie que o habitava há alguns meses. O yuppie, por sua vez, precisava de permissão para morrer e essa permissão poderia levar até uma semana para ser dada, segundo seu cordenador, que era um filho da puta que fazia tudo de má vontade, quando fazia.
Já era dia, denunciava o céu rosa e azul que subia por trás e acima do morro por entre os prédios, então levantou-se mais uma vez do sofá, despindo-se do edredon e vestindo a mesma roupa com que fora trabalhar no dia anterior. Chico Buarque e outros sambas tocavam leves no rádio e ele ficaria ali pensando e montando planos um pouco mais, até que sua amiga convalescente acordasse e ele lhes fizesse um café, saindo antes dela e indo para casa trabalhar em seus projetos. O céu já era azul com nuvens brancas, sempre com ameaça de chuva e um mormaço, como nos últimos dias daquele inverno incomum.
Antes de levantar do sofá, ainda no centro, ele olhou mais uma vez para o amanhecer na janela e viu uma pomba branca em vôo, o que lhe fez lembrar de todas as coisas que viu, ouviu e sentiu nas últimas semanas, que indicavam e o empurravam para a liberdade, mas olhando novamente viu uma pomba negra, em vôo no sentido contrário da branca, que o fez pensar que de nada valeria aquela liberdade que mais uma vez galgava, se ele não fizesse o uso mais perfeito possível dela, aproveitando inteligentemente cada minuto para produzir ou para recuperar importâncias, substâncias e fundamentos.
Era hora de agir e ele sabia que esta era sua última chance."
Já era dia, denunciava o céu rosa e azul que subia por trás e acima do morro por entre os prédios, então levantou-se mais uma vez do sofá, despindo-se do edredon e vestindo a mesma roupa com que fora trabalhar no dia anterior. Chico Buarque e outros sambas tocavam leves no rádio e ele ficaria ali pensando e montando planos um pouco mais, até que sua amiga convalescente acordasse e ele lhes fizesse um café, saindo antes dela e indo para casa trabalhar em seus projetos. O céu já era azul com nuvens brancas, sempre com ameaça de chuva e um mormaço, como nos últimos dias daquele inverno incomum.
Antes de levantar do sofá, ainda no centro, ele olhou mais uma vez para o amanhecer na janela e viu uma pomba branca em vôo, o que lhe fez lembrar de todas as coisas que viu, ouviu e sentiu nas últimas semanas, que indicavam e o empurravam para a liberdade, mas olhando novamente viu uma pomba negra, em vôo no sentido contrário da branca, que o fez pensar que de nada valeria aquela liberdade que mais uma vez galgava, se ele não fizesse o uso mais perfeito possível dela, aproveitando inteligentemente cada minuto para produzir ou para recuperar importâncias, substâncias e fundamentos.
Era hora de agir e ele sabia que esta era sua última chance."
Monday, September 10, 2012
Ouça soh
Veja Só
Tibério Azul
Veja só
Até parece que é o fim
Meu violão eu vendi
Porque o sensível me dói
Eu comprei uma bike
Uma Caloi colorida
Fiquei sem grana, porém
Pedalo o mundo
Sinto a rua
Leio a banca de revista
Tem entrevista
Veja só
E eu que pensei que fosse o fim
Tudo o que tinha eu revi
Mas minha alma ficou
Uma galinha a comer
Um filme pra assistir
Alguém me avisa
Mainha eu tô bem
http://youtu.be/rnTjCS4wo-s
Até parece que é o fim
Meu violão eu vendi
Porque o sensível me dói
Eu comprei uma bike
Uma Caloi colorida
Fiquei sem grana, porém
Pedalo o mundo
Sinto a rua
Leio a banca de revista
Tem entrevista
Veja só
E eu que pensei que fosse o fim
Tudo o que tinha eu revi
Mas minha alma ficou
Uma galinha a comer
Um filme pra assistir
Alguém me avisa
Mainha eu tô bem
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